Indústria brasileira e o desafio do carbono: O relógio está correndo
- Felipe Cunha

- 16 de mar.
- 2 min de leitura
O Plano Clima 2024-2035 marca uma virada decisiva para a indústria brasileira. Ele encerra a fase de debates abstratos e inaugura a etapa de atribuição concreta de responsabilidades, alinhando o país às metas internacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa previstas no Acordo de Paris. A partir de agora, o setor privado precisa lidar com números e prazos claros, que definem o orçamento de carbono até 2035.

No caso da indústria pesada, há espaço para crescimento de emissões entre 13% e 34% até 2035, considerando setores como ferro e aço, cimento, alumínio, papel e celulose, químico e vidro. Esse crescimento, no entanto, está condicionado a alavancas estratégicas: maior uso de eletricidade, avanço das fontes renováveis, ganhos de eficiência energética, redução de gases HFCs e adoção de tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
O desafio está na distribuição das quotas de emissão entre diferentes segmentos industriais. Cada setor possui intensidade de carbono, maturidade tecnológica e exposição internacional distintas. A diferença entre 203 e 240 MtCO₂e em 2035 representa não apenas uma questão técnica, mas também um espaço econômico a ser disputado.
A Lei de Mercado de Carbono, em fase de regulamentação, será o instrumento que transformará metas setoriais em quotas específicas por instalação. Esse processo definirá limites máximos de emissões e criará um sistema de comércio de permissões. A decisão sobre critérios de alocação — seja por histórico de emissões, benchmarks tecnológicos ou projeções de produção — terá impacto direto em investimentos, custos e competitividade.
O prazo é apertado: até dezembro de 2026, as normas infralegais devem estar publicadas. Isso significa que, ainda em 2026, o setor privado deixará de trabalhar com números agregados e passará a lidar com quotas individualizadas. Se não houver consenso interno, caberá à Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono definir unilateralmente como será feita a repartição.
O momento exige ação estratégica e governança empresarial. A indústria precisa se organizar e propor soluções estruturadas, sob risco de perder espaço competitivo. Mais do que uma obrigação regulatória, trata-se de uma oportunidade para reposicionar o setor diante da transição energética global e garantir que o Brasil avance de forma sustentável e competitiva.




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