A indústria Brasileira e o desafio da conta do carbono
- Felipe Cunha

- 13 de abr.
- 2 min de leitura
O Plano Clima 2024-2035 marca uma virada decisiva para o setor industrial brasileiro. Ele encerra a fase de debates abstratos e inaugura a etapa de responsabilidades concretas, traduzindo os compromissos internacionais do Brasil em metas setoriais. A indústria pesada, que inclui setores como ferro e aço, cimento, alumínio, papel e celulose, químico e vidro, terá margem para crescimento de emissões, mas dentro de limites bem definidos.
Esses limites permitem um aumento de 13% a 34% nas emissões até 2035, com base nos números de 2022. Para que isso seja viável, o plano aponta alavancas estratégicas: maior participação da eletricidade no consumo energético, expansão das fontes renováveis acima de 65%, ganhos de eficiência energética, redução do uso de HFCs e avanço em tecnologias de captura e armazenamento de carbono. Trata-se de um orçamento de carbono que precisa ser cuidadosamente administrado.

O desafio, no entanto, está na distribuição das quotas de emissão entre diferentes segmentos industriais. Cada setor possui intensidades de carbono distintas, maturidade tecnológica variada e diferentes níveis de exposição internacional. Essa heterogeneidade torna a definição de critérios de alocação uma questão estratégica, que impactará diretamente investimentos, custos de produção e competitividade.
A Lei de Mercado de Carbono, já sancionada, será o instrumento regulatório que transformará metas agregadas em quotas específicas por instalação. O plano nacional de alocação, previsto nessa lei, definirá limites máximos de emissões e estabelecerá o sistema de comércio de permissões. A Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono, vinculada ao Ministério da Fazenda, está conduzindo esse processo com previsão de conclusão em 2026.
O setor privado precisa agir antes que as decisões sejam impostas de forma unilateral. Se não houver consenso interno, as quotas serão atribuídas pelo governo, o que pode gerar impactos inesperados. É o momento de exercer governança empresarial, coordenar esforços técnicos e apresentar propostas estruturadas para influenciar a regulamentação.
O prazo está correndo e a indústria brasileira tem diante de si uma oportunidade única: transformar a transição para uma economia de baixo carbono em vantagem competitiva. Mais do que cumprir metas, trata-se de liderar um movimento que redefine o papel da indústria no futuro sustentável do país.




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