top of page

Preço do carbono em queda na Europa: oportunidades e riscos para o Brasil

  • Foto do escritor: Felipe Cunha
    Felipe Cunha
  • 23 de fev.
  • 2 min de leitura

O mercado europeu de carbono, considerado referência global, registrou uma queda de 20% no preço das licenças de emissão de CO₂ em 2026. Essa redução reflete pressões políticas e preocupações com a competitividade da indústria europeia, mas também levanta questões sobre os impactos para países emergentes, como o Brasil, que estão estruturando seus próprios sistemas de precificação de carbono.


O Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (ETS) foi fundamental para afastar o setor elétrico do carvão e impulsionar a transição para energias renováveis. No entanto, a descarbonização de setores intensivos em emissões, como aço e cimento, ainda depende de preços mais altos para viabilizar investimentos em tecnologias limpas. Com o preço atual em torno de 70 euros por tonelada, especialistas apontam que a lógica econô

mercado de carbono, Brasil versus Europa, com uma Floresta brasileira a esquerda e floresta europeia a direita

mica da transição pode estar comprometida.


A queda nos preços também trouxe impactos imediatos para empresas de energia limpa, como a dinamarquesa Orsted e a finlandesa Fortum, cujas ações recuaram após declarações políticas que sugerem revisão do sistema. Esse cenário alimenta o chamado “greenlash” – uma reação global contra políticas ambientais mais rigorosas – e coloca em dúvida a capacidade da Europa de manter sua liderança na agenda climática.


Para enfrentar a concorrência internacional, a União Europeia aposta no Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras (CBAM), que impõe taxas sobre importações de produtos intensivos em emissões. Essa medida pode incentivar países como o Brasil a acelerar a implementação de seus próprios sistemas regulados, evitando que a receita da precificação seja capturada pela Europa.


O Brasil já deu passos importantes com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que prevê a destinação de pelo menos 75% da receita ao Fundo Clima, administrado pelo BNDES. Esse modelo pode servir de exemplo para a União Europeia, ao garantir que os recursos arrecadados sejam reinvestidos diretamente na descarbonização da indústria nacional.


Em um momento de transição energética global, a queda do preço do carbono na Europa é um alerta para o Brasil: é preciso estruturar um sistema robusto, capaz de proteger a competitividade das empresas e, ao mesmo tempo, acelerar a descarbonização. O país tem a chance de se posicionar como líder no mercado de carbono, aproveitando seus diferenciais naturais e regulatórios para atrair investimentos e consolidar sua relevância internacional.



Comentários


bottom of page