São Paulo lidera inovação climática com projeto pioneiro de captura de carbono da cana-de-açúcar
- Felipe Cunha

- há 3 dias
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O Estado de São Paulo deu um passo histórico ao anunciar o primeiro projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono biogênico (BECCS) proveniente da produção de etanol da cana-de-açúcar. A iniciativa, firmada durante a Semana do Meio Ambiente, reúne a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fapesp e a Escola Politécnica da USP, consolidando uma parceria estratégica entre academia, governo e setor produtivo para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.

O projeto, denominado CTCCSBio, foi estruturado em cinco eixos fundamentais: socioambiental, regulação, tecnologia, infraestrutura e mercado. Seu objetivo é desenvolver soluções que permitam a remoção permanente de CO₂, gerando créditos de carbono e contribuindo para a descarbonização da economia paulista. Trata-se de um marco para o setor sucroenergético, que passa a ser protagonista na transição para uma economia de baixo carbono.
Com investimentos estimados em R$30 milhões, o projeto contará com a participação de universidades como Unicamp, Unesp, ITA e Mackenzie, além de empresas privadas e apoio do governo estadual. A Petrobras e a São Martinho também estão envolvidas, reforçando o caráter multidisciplinar e colaborativo da iniciativa. Essa união de forças promete acelerar o desenvolvimento de tecnologias de captura, purificação e transporte de carbono, ampliando a competitividade internacional do setor.
O BECCS é considerado uma tecnologia essencial para a produção de etanol “carbono negativo”, já que armazena de forma permanente o CO₂ retirado da atmosfera pela cana-de-açúcar. Alinhado ao Plano de Ação Climática 2050 e ao Plano Estadual de Energia 2050, o projeto reforça o compromisso de São Paulo em atingir emissões líquidas negativas e se posicionar como referência global em inovação climática.
Além dos aspectos tecnológicos, o projeto também contempla estudos de viabilidade técnica e econômica, mapeamento geológico de reservatórios e aprimoramentos regulatórios. O IPCC reconhece o BECCS como uma das principais ferramentas para combater as mudanças climáticas nas próximas décadas, o que coloca São Paulo em posição estratégica para liderar esse movimento no cenário internacional.
Com sede na Escola Politécnica da USP, o CTCCSBio simboliza a convergência entre ciência, inovação e sustentabilidade. Mais do que um projeto tecnológico, trata-se de uma iniciativa que fortalece o papel do Brasil na agenda climática global, mostrando que é possível unir desenvolvimento econômico e preservação ambiental em um mesmo caminho.
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