top of page

Terras raras: por que esses minerais se tornaram estratégicos para o mundo — e qual é o papel do Brasil nessa corrida?

  • Foto do escritor: Felipe Cunha
    Felipe Cunha
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura
Rochas cinzas e alaranjadas em uma pedreira, destacando-se contra um fundo de solo acidentado e inclinado, sem presença de pessoas.

As chamadas “terras raras” são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para diversas tecnologias modernas, apesar do nome, muitos desses minerais não são exatamente raros na natureza, o grande desafio está na sua concentração e no processo de extração e separação, que exige alto nível técnico e gera impactos ambientais relevantes. Hoje, esses elementos são considerados estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.

Na prática, as terras raras estão presentes em turbinas eólicas, baterias de veículos elétricos, painéis solares, smartphones, equipamentos médicos, sistemas militares e até em chips utilizados em inteligência artificial. Elementos como neodímio, lantânio e disprósio são essenciais para a produção de ímãs de alta performance e tecnologias de baixo carbono. Não por acaso, a demanda global por esses minerais vem crescendo rapidamente, impulsionada pela corrida mundial por energia limpa e inovação tecnológica.


Ao mesmo tempo, a extração de terras raras traz desafios ambientais importantes. O processo de mineração e beneficiamento pode gerar resíduos tóxicos, contaminação de solo e água, além de emissões associadas ao uso intensivo de energia e produtos químicos. Em alguns países, a exploração ocorreu historicamente sem controle ambiental adequado, resultando em áreas degradadas e passivos ambientais significativos, o que mostra que a transição energética também precisa ser acompanhada de responsabilidade ambiental.


É justamente nesse ponto que surge a grande oportunidade para o Brasil. O país possui uma das maiores reservas potenciais de terras raras do mundo, especialmente em estados como Minas Gerais, Goiás e Amazonas, além de contar com uma matriz energética relativamente limpa e uma biodiversidade estratégica. Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país pode ocupar uma posição relevante no mercado global nas próximas décadas, principalmente em um cenário de diversificação da cadeia mundial de fornecimento desses minerais.


Mas para que isso aconteça de forma sustentável, será necessário investir em planejamento, tecnologia, rastreabilidade e governança ambiental. O Brasil tem a oportunidade de evitar erros cometidos em outros países e estruturar uma mineração baseada em critérios ESG, licenciamento ambiental robusto, recuperação de áreas degradadas e monitoramento contínuo dos impactos. Isso não apenas reduz riscos ambientais, mas também aumenta a competitividade internacional do setor.


Na PED, entendemos que o debate sobre terras raras vai muito além da mineração, ele envolve estratégia econômica, segurança ambiental e posicionamento global. Se o Brasil conseguir unir desenvolvimento tecnológico, responsabilidade ambiental e gestão territorial inteligente, o país poderá se consolidar como um dos principais players mundiais da nova economia verde, mostrando que crescimento e sustentabilidade não precisam caminhar em lados opostos.


Comentários


bottom of page