Jeans sustentável: o desafio da moda que ainda é exceção
- Felipe Cunha

- 22 de jun.
- 2 min de leitura
O jeans é, sem dúvida, um dos tecidos mais presentes no guarda-roupa dos brasileiros. Produzimos cerca de 280 milhões de peças por ano, ocupando a posição de terceiro maior produtor mundial. Apesar de sua versatilidade e popularidade, o impacto ambiental do denim é alarmante: uma única calça pode consumir entre 3 mil e 10 mil litros de água ao longo de sua vida útil, além de envolver o uso de corantes sintéticos e metais pesados que prejudicam o meio ambiente.

Para enfrentar esse desafio, a indústria tem buscado alternativas como fibras recicladas, algodão regenerativo, lavagens com ozônio e tingimento a laser. Contudo, essas soluções ainda não são aplicadas em larga escala. Um exemplo recente é o elastano feito a partir da cana-de-açúcar, lançado pela Riachuelo em parceria com a Hyosung TNC. Essa inovação reduz emissões de CO₂ em até 55% e o consumo de água em 50%, mas enfrenta o obstáculo do custo elevado em comparação ao elastano convencional.
A coleção sustentável da Riachuelo, chamada Pool Loop, trouxe ao mercado 10 mil peças com elastano de biomassa, além de algodão agroecológico e viscose reciclada. O preço final foi mantido competitivo, em torno de R$ 179, graças ao esforço conjunto de toda a cadeia produtiva. No entanto, pesquisas internas revelam que a sustentabilidade ainda não é fator decisivo para os consumidores, que priorizam o preço mais baixo.
Enquanto isso, marcas premium como a catarinense Damyller têm conseguido avançar mais rapidamente. A empresa utiliza tecnologias como laser e ozônio há quase duas décadas, alcançando reduções de até 96% no consumo de água e 62% no uso de químicos. Apesar disso, os preços das peças sustentáveis chegam a R$ 500, o que limita o acesso a um público mais amplo.
O grande desafio continua sendo a escala. No caso da Riachuelo, as 10 mil peças sustentáveis representam apenas 0,2% de sua produção anual de jeans. A falta de matéria-prima sustentável em larga escala e infraestrutura adequada impede que essas iniciativas se tornem representativas. Ainda assim, a empresa aposta em coleções com rastreabilidade e QR codes para educar consumidores e fornecedores, fomentando uma base sólida para o futuro.
Em resumo, o jeans sustentável já existe, mas ainda é exceção. O caminho para torná-lo regra passa por inovação tecnológica, colaboração entre empresas e conscientização dos consumidores. Enquanto isso, cada peça de denim continua carregando uma pesada conta ambiental, reforçando a urgência de transformar a moda em uma indústria verdadeiramente responsável.




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