Solví e o futuro da energia sustentável: lixo que move caminhões em São Paulo
- Felipe Cunha

- 20 de jul.
- 2 min de leitura
A cidade de São Paulo está prestes a dar um passo significativo rumo à economia circular e à transição energética. A Solví, empresa que administra o aterro de Caieiras e outros 43 pelo Brasil, anunciou um projeto inovador: transformar o lixo coletado na capital em combustível renovável para os próprios caminhões de coleta. Essa iniciativa fecha um ciclo sustentável em que resíduos se tornam energia limpa para movimentar a frota responsável por recolhê-los.

Para viabilizar essa transformação, a companhia captou R$ 800 milhões via Eco Invest, programa do Tesouro Nacional que atrai capital privado para projetos de transição ecológica. O financiamento, dividido entre Bradesco e Itaú, será destinado à expansão da capacidade do aterro, construção de novas plantas de biometano e projetos de recuperação energética de resíduos, previstos para 2029. Além disso, a Loga, subsidiária da Solví responsável pela coleta de metade da cidade, obteve R$ 500 milhões do BNDES para substituir gradualmente sua frota a diesel por caminhões movidos a biometano.
A estratégia da Solví está alinhada com seu crescimento acelerado: em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 4,9 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. A meta para 2030 é dobrar essa receita, sustentada por um plano de investimentos de R$ 5 bilhões nos próximos cinco anos. O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos, é o grande protagonista dessa expansão, substituindo o gás natural de origem fóssil e posicionando a empresa como referência na transição energética.
Atualmente, a Solví opera três plantas de biometano em Caieiras (SP), Minas do Leão (RS) e São Leopoldo (RS), que juntas geraram R$ 150 milhões em receita em 2025. Embora esse valor represente apenas 3% do faturamento total, o potencial de crescimento é expressivo: dos 44 aterros administrados pela empresa, 13 têm escala suficiente para viabilizar novas plantas. A meta é construir 10 unidades adicionais, consolidando o biometano como uma das principais avenidas de expansão do grupo.
O financiamento foi estruturado com rigor, incluindo a emissão de debêntures verdes pelo Bradesco BBI, com prazo de 10 anos e remuneração atrelada ao DI. A operação contou com relatório independente da consultoria ERM, que atestou o alinhamento dos projetos às normas internacionais de títulos verdes. Essa estrutura reforça a credibilidade da iniciativa e garante que os recursos sejam aplicados exclusivamente em projetos sustentáveis, sob pena de vencimento antecipado da dívida em caso de descumprimento.
Apesar dos avanços, a empresa enfrenta desafios. O aterro de Marituba, no Pará, acumula histórico de problemas ambientais e sociais, incluindo denúncias de mau cheiro, contaminação e conflitos com comunidades locais. Embora a Solví afirme manter medidas de prevenção e monitoramento, líderes comunitários ainda relatam descaso. Esse contraste evidencia a importância de conciliar inovação e responsabilidade socioambiental em todos os projetos da companhia.




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